A maior gestora de ativos do mundo, BlackRock, transferiu US$ 320 milhões em Bitcoin e Ethereum para carteiras da Coinbase Prime em 13 de janeiro de 2026, conforme dados on-chain da Arkham Intelligence. O movimento, que incluiu 3.290 BTC (US$ 303 milhões) e 5.692 ETH (US$ 18 milhões), ocorre paralelamente ao rali do Bitcoin rumo aos US$ 96 mil, levantando questionamentos sobre possíveis resgates de ETFs ou mera gestão de liquidez institucional.
Detalhes da Transferência On-Chain
Os dados da Arkham revelam que as carteiras associadas à BlackRock enviaram os ativos diretamente para a Coinbase Prime, plataforma dedicada a clientes institucionais. Essa transferência não é isolada: posts recentes monitorados indicam padrões semelhantes nos dias 11 e 12 de janeiro, com saídas de BTC de carteiras ligadas à gestora. No entanto, volumes como esse raramente indicam vendas imediatas, mas sim movimentações para otimização operacional.
Segundo o Cointrader Monitor, o Bitcoin negociava a R$ 510.628 nesta quarta-feira (14/01), com alta de 3,18% nas últimas 24 horas e volume de 321 BTC nas exchanges brasileiras. Isso reforça o contexto de alta no preço do BTC, contrastando com as ações da BlackRock.
Saídas Consecutivas nos ETFs
Em paralelo, os ETFs de cripto da BlackRock enfrentam pressões. O IBIT (Bitcoin ETF) registrou US$ 71 milhões em saídas líquidas na terça-feira (13/01), marcando o quarto dia consecutivo de retiradas. Já o ETF de Ethereum acumulou perdas de US$ 80 milhões no período recente, segundo dados da Farside Investors. Coletivamente, os ETFs de cripto listados nos EUA perderam US$ 1,2 bilhão em ativos líquidos nas últimas três semanas.
Esses outflows sugerem hesitação institucional em meio à volatilidade macroeconômica, impulsionada por políticas de bancos centrais e tensões geopolíticas. Pension funds e seguradoras, alvos principais desses produtos regulados, priorizam preservação de capital sobre exposição prolongada.
Motivos Prováveis: Liquidez ou Resgates?
Analistas on-chain apontam que transferências para a Coinbase Prime tipicamente servem à gestão de liquidez ou hedging de riscos, permitindo negociações de grande porte sem impacto no mercado varejista. Não há evidências diretas de liquidações, mas o timing coincide com resgates nos ETFs, o que pode indicar rebalanceamento de portfólios. A BlackRock, com US$ 9 trilhões em ativos sob gestão, usa essas plataformas para manter flexibilidade operacional durante fases incertas.
É possível que os movimentos reflitam ajustes táticos, não um abandono do setor. A gestora mantém posições dominantes nos ETFs de BTC e ETH, mas o mercado interpreta cada transação como sinal de cautela institucional.
Implicações para o Mercado Cripto
Esse episódio destaca a maturidade do ecossistema cripto, onde ações de gigantes como BlackRock reverberam globalmente. No Brasil, onde o BTC avança, investidores devem monitorar fluxos on-chain para antecipar tendências. A adoção institucional prossegue, mas exige retornos consistentes e frameworks de risco alinhados ao status quo financeiro tradicional.
Os próximos trimestres esclarecerão se essa cautela é transitória ou recalibração duradoura. Traders atentos a carteiras de baleias como a BlackRock ganham vantagem em um mercado que premia paciência sobre impulsos.
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