O ciclo de quatro anos do Bitcoin não morreu, ele só ficou mais cruel. Uma pesquisa da Canary Capital revela que, apesar do pico em outubro de 2025 a US$ 126.000, uma queda gradual de 50-55% pode estar em curso. Já com 30% de desvalorização, o mercado baixista ganha sobrevida por 6-9 meses, questionando a narrativa de que ‘desta vez é diferente’. Capitulação dos miners e mudanças macroeconômicas aceleram o processo, enquanto o otimismo de alta é prematuro.
Queda Precoce: Capitulação dos Miners e Custos Crescentes
O relatório ‘Bitcoin’s Four-Year Cycle: The 2025 Reality Check’ explica por que a baixa chegou mais cedo. Custos de eletricidade dispararam com a expansão de data centers de IA, pressionando miners pequenos e médios. Expuseram-se a preços variáveis, forçando liquidações prematuras de reservas de Bitcoin.
Outro fator foi o colapso do bitcoin basis trade após a chegada dos ETFs spot. Prêmios de futuros encolheram, eliminando incentivos de arbitragem. Segundo o estudo, isso resultou em ‘capitulação generalizada de miners mais cedo que o histórico’. Globalmente, mercados cripto reavaliam dinâmicas sob essas pressões estruturais.
Segundo o Cointrader Monitor, o Bitcoin negocia a R$ 500.382 (-2,44% em 24h), reforçando a tendência de baixa.
Ciclo Intacto: ETFs Não Eliminam Influência dos Miners
Muitos alegam que ETFs e maior acesso institucional quebraram o ciclo. Canary Capital rebate: ‘O ciclo de quatro anos permanece intacto. O Bitcoin atingiu o pico em outubro a cerca de US$ 126.000, alinhado com ciclos anteriores’. Novos veículos melhoram eficiência, mas não neutralizam sellers forçados como miners.
‘A alegação de que ETFs desbloqueiam capital suficiente para eliminar o papel dos miners é falsa, pelo menos neste ciclo’, afirma o relatório. Comportamento importa tanto quanto disponibilidade. Volatilidade de alta e baixa diminui a cada halving, mas miners seguem influentes.
Divergências em bancos centrais — Fed frouxo vs. aperto japonês — e gasto consumidor fraco limitam retail, alinhando com fraqueza histórica do Bitcoin.
Previsão de Declínio: 50-55% Até o Fundo em 2026
Steven McClurg, fundador da Canary, projeta ‘fase baixista com declínio de 50-55% do pico ao fundo. Com BTC já 30% abaixo, queda gradual nos próximos 6-9 meses é razoável’. Alinha-se às mudanças no Fed, com fundo cíclico no verão 2026, seguido de recuperação.
Impacto marginal dos halvings diminui, mas sellers estruturais persistem. Isso tempera euforia: enquanto bulls sonham com moon, dados sugerem prolongamento da baixa. Investidores devem monitorar miner economics e macro policy para timing.
2026: Foco em Adoção e Fundamentos
Pós-trough, o relatório aponta para seletividade: ‘2026 definido por adoção e lucratividade real’. Ênfase em on-chain lending, tokenização de ativos reais, stablecoins e infraestrutura de pagamentos. Diferenciação por fundamentos no setor cripto.
Para brasileiros, com BTC em R$ 500 mil, a lição é clara: ciclos persistem, mas evoluem. Não compre a narrativa de alta sem dados. Vale posicionar para volatilidade moderada e fundo gradual.
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