Investigações revelam que o Ministério Público de São Paulo apreendeu R$ 1,8 milhão em Bitcoin, além de US$ 68 mil e R$ 288 mil em espécie, na nova fase da Operação Ícaro. A ação, conduzida pelo Gedec e Cyber Gaeco com apoio da PM, mira desvios na Delegacia Regional Tributária do Butantã. Esse desdobramento reforça o cerco sobre o caso Ultrafarma, iniciado em 2025 com prisões e confisco de R$ 10 milhões em criptomoedas, evidenciando o uso de ativos digitais para ocultar propinas bilionárias.
Detalhes da Nova Apreensão
A operação recente não divulgou a origem exata dos bitcoins confiscados nem o método de armazenamento, mas a perícia técnica deve esclarecer esses pontos. As autoridades atuaram com precisão para bloquear movimentações suspeitas, destacando a sofisticação das fraudes fiscais. Evidências apontam para um esquema que movimentou mais de R$ 1 bilhão em propinas, pagas para antecipar liberações de créditos de ICMS. O Ministério Público teme o desaparecimento de fortunas em cripto, já que acessos a carteiras dependem de chaves privadas não fornecidas pelos investigados.
Marcelo de Almeida Gouveia, um dos auditores fiscais presos preventivamente, recusou-se a entregar a senha de sua carteira digital. Em sua residência, foram encontrados R$ 330 mil e US$ 10 mil em espécie, mas os valores principais estariam em ativos digitais comprados para lavagem de propinas.
Contexto do Caso Ultrafarma
O escândalo ganhou forma em agosto de 2025 com as prisões de Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, diretor da Fast Shop. Na ocasião, a polícia confiscou cerca de R$ 10 milhões em criptomoedas e R$ 1,8 milhão em dinheiro vivo. As empresas são suspeitas de integrar uma rede de corrupção na fiscalização tributária paulista, sonegando impostos via propinas a auditores como Artur Gomes da Silva Neto, apontado como operador central com recebimentos estimados em R$ 1 bilhão.
Investigações revelam inconsistências em declarações fiscais e movimentações atípicas em blockchain, conectando pontos entre empresas e servidores públicos. O MP-SP busca quebrar o sigilo de wallets para mapear fluxos ilícitos, um desafio recorrente em crimes econômicos no Brasil.
Desafios no Rastreamento de Criptomoedas
A pseudonimidade do Bitcoin facilita seu uso em esquemas de lavagem, mas ferramentas forenses on-chain permitem rastrear transações públicas. No entanto, sem chaves privadas, milhões em ativos ficam inacessíveis, como no caso dos auditores. Prisões preventivas visam pressionar por cooperação, evitando que fortunas evaporem. O Cyber Gaeco exemplifica a evolução das forças policiais brasileiras em lidar com tecnologias blockchain.
Sinais de alerta identificados incluem recusas em fornecer senhas, carteiras não declaradas e compras massivas sem justificativa econômica. Esses elementos sinalizam riscos para investidores legítimos que interagem com exchanges não reguladas.
Implicações e Como se Proteger
Esse caso sublinha a seriedade com que autoridades brasileiras tratam fraudes envolvendo cripto, podendo acelerar regulamentações mais rigorosas. Para o mercado, reforça a necessidade de compliance em plataformas e due diligence em transações. Investidores devem priorizar exchanges reguladas pela CVM e Banco Central, evitar wallets de terceiros sem verificação e monitorar movimentações atípicas.
Como se proteger: utilize carteiras próprias com backup seguro, declare ativos no IR e evite esquemas prometendo retornos garantidos. Fique atento a notícias de investigações fiscais — elas salvam patrimônios antes que seja tarde.
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