O mercado cripto ainda sente os efeitos do crash de 10 de outubro, com US$ 19 bilhões em liquidações, o maior evento desse tipo na história. Meses depois, a liquidez permanece fina, os order books fragmentados e os spreads mais largos, contribuindo para a queda do Bitcoin de US$ 124.800 para cerca de US$ 77.000. O CEO da OKX, Star Xu, acusa a Binance de criar uma crise “hausgemacht” por marketing irresponsável, reacendendo debates sobre o papel da maior exchange.
O Crash de 10/10 e a Ressaca Persistente
Os dados mostram que o dia 10/10 registrou uma cascata de liquidações forçadas de posições alavancadas, com o Bitcoin caindo até 12,5% em 14 meses. Esse evento, apelidado de “10/10 nightmare”, expôs fragilidades estruturais: liquidez fina em um horário ilíquido de sexta-feira à noite, agravada por notícias macroeconômicas. Desde então, a profundidade de mercado não se recuperou totalmente.
Os order books exibem spreads mais amplos e menor capacidade de absorver ordens grandes sem impacto significativo no preço. Isso contribuiu para a desvalorização contínua do BTC, que oscila atualmente em torno de US$ 77.000. Segundo o Cointrader Monitor, o Bitcoin cotado a R$ 409.393,11 (-1,19% em 24h), reflete volumes de 471 BTC negociados no Brasil.
Traders relatam que a confiança foi erodida, com market makers recuando em condições de estresse, perpetuando um ciclo de volatilidade concentrada.
Acusações da OKX: Marketing Irresponsável da Binance
Star Xu, fundador da OKX, atribui o crash a campanhas de marketing da Binance que incentivaram riscos excessivos. No centro das acusações está a promoção do stablecoin USDe da Ethena, listado um mês antes, com yields de 12% via Binance Earn. Sem alertas claros sobre seu modelo de hedge via posições vendidas em derivativos, usuários criaram loops perigosos.
Stablecoins como USDT/USDC foram trocados por USDe, usado como colateral para empréstimos de mais USDT, convertidos novamente em USDe, gerando yields artificiais de até 70%. A volatilidade causou um depeg temporário do USDe, desencadeando liquidações em cadeia, agravadas por problemas em WETH e BNSOL. Xu chama isso de dano “pior que FTX”, uma mudança fundamental na microestrutura do mercado.
Anatoly Yakovenko (Solana) endossou a visão, enquanto CZ (Binance) unfollowed Xu.
Resposta da Binance e Falta de Transparência
A Binance nega falha interna, classificando o evento como resultado de fatores de mercado: pressão macro, alta alavancagem, iliquidez e congestionamento na Ethereum. Pagou US$ 283 milhões em compensações, mantendo que sistemas centrais operaram normalmente. Críticos, como Cathie Wood (Ark Invest), alegam um glitch de software causando US$ 28 bilhões em deleveraging.
A ausência de um post-mortem público alimenta especulações e teorias conspiratórias. Ex-regulador CFTC sugere investigação similar ao flash crash de 2010, destacando falta de escrutínio regulatório em cripto. CEO da Wintermute defende: não glitch, mas flash crash em mercado alavancado ilíquido.
Implicações: Profundidade de Mercado e Lições
Os números revelam dependência excessiva de alavancagem e market makers condicionais. Em bear markets, liquidez evapora, acelerando choques. Níveis a monitorar incluem suportes em US$ 75.000-80.000 para BTC, onde volumes podem definir próximos movimentos.
A dominância da Binance em derivativos amplifica seu impacto sistêmico, mas o problema é estrutural: reconstruir confiança exige order books mais robustos e transparência. Traders devem observar métricas de depth e leverage ratios para antecipar riscos.
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