O Governo do Reino Unido confirmou a apreensão histórica de 60 mil bitcoins, o maior confisco de criptomoedas já registrado no país. O caso envolve o lavador de dinheiro Seng Hok Ling, ligado à chinesa Zhimin Qian, conhecida como ‘Rainha das Criptomoedas’, que fraudou mais de 600 milhões de libras na China. Autoridades deram prazo de três meses para pagamento de dívida de mais de 5 milhões de libras, sob pena de prisão adicional. O que o governo britânico fará com essa fortuna digital?
Contexto do Esquema Criminoso
O caso remonta a uma investigação ampla sobre lavagem de dinheiro internacional. Seng Hok Ling, de 47 anos, confessou participação na operação liderada por Zhimin Qian, que movimentou mais de 600 milhões de libras em fraudes na China. Qian foi condenada a 11 anos de prisão no Reino Unido, em um processo que resultou na maior apreensão de bitcoins pelo país até então, envolvendo cerca de 60 mil BTCs.
Ling cumpre pena de 4 anos e 11 meses por posse de bens criminosos em criptomoedas. A Crown Prosecution Service (CPS) obteve ordem de confisco no Southwark Crown Court, determinando o pagamento de £ 5.417.995,24 (cerca de R$ 39 milhões, pela cotação atual de £1 = R$ 7,22) aos cofres públicos. A magnitude dessa apreensão posiciona o Reino Unido como um dos principais detentores estatais de Bitcoin no mundo.
Detalhes da Ordem Judicial e Colaboração Internacional
Parte crucial da dívida — exatamente £ 5.417.995,24 — já está em posse da polícia, graças à conversão prévia das criptomoedas apreendidas, incluindo fundos de uma carteira na Binance. O restante, em contas nos Emirados Árabes Unidos, tem prazo de três meses para repatriação.
Caso Ling não cumpra, enfrentará mais oito anos de prisão, além de juros de 8% ao ano sobre a dívida pendente. O Ministro de Estado da Segurança, Dan Jarvis, enfatizou: “Não permitiremos que o crime compense. Aqueles que lavam dinheiro através de criptomoedas serão processados.” Essa colaboração com exchanges como a Binance destaca o papel das plataformas na restituição de fundos ilícitos.
Implicações para Custódia Estatal e Mercado de Bitcoin
Com 60 mil BTCs sob custódia — equivalentes a cerca de R$ 28,5 bilhões segundo o Cointrader Monitor (R$474.995 por BTC) —, o governo britânico entra no clube seleto de nações com reservas significativas em cripto. No entanto, a conversão parcial em libras levanta questões sobre estratégias de gestão: manter como reserva de valor ou liquidar para evitar volatilidade?
Segundo o comunicado oficial, parte já foi vendida, potencialmente gerando pressão vendedora no mercado. Investidores globais monitoram se o Reino Unido adotará modelo similar ao dos EUA, que custodia BTCs do Silk Road sem vendas imediatas, ou optará por liquidação rápida, impactando preços.
Perspectiva Geopolítica e Futuro da Regulação
Esse confisco reforça a postura agressiva do Reino Unido contra crimes financeiros transfronteiriços envolvendo criptoativos. Em um contexto de crescente escrutínio regulatório pós-Brexit, o caso sinaliza que governos europeus estão se armando para combater lavagem via blockchain. Países como EUA e Bulgária já acumularam milhares de BTCs em custódia estatal, totalizando mais de 200 mil unidades globalmente.
Para o mercado, a incerteza sobre o destino desses ativos — venda gradual ou retenção estratégica — pode influenciar a volatilidade do Bitcoin. Investidores devem acompanhar decisões judiciais futuras, que definirão se o Reino Unido se tornará um ‘hodler’ estatal ou contribuirá para oferta no mercado spot. O episódio também impulsiona debates sobre autocustódia, enfatizando riscos de exposição a plataformas centralizadas.
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