A rede de fast-food Steak ’n Shake acaba de lançar um bônus de 21 cents por hora trabalhada em Bitcoin para todos os funcionários horistas, a partir de 1º de março. Além disso, a Pine Labs planeja cartões pré-pagos financiados com stablecoins em nove países até abril. Essas iniciativas mostram cripto saindo dos gráficos e entrando no contracheque e nas compras do dia a dia. Para brasileiros, surge a pergunta: quando isso chega aqui e como fica o imposto?
Detalhes do Bônus Bitcoin na Steak ’n Shake
Ao trabalhar uma jornada de 40 horas semanais, o funcionário pode acumular cerca de US$ 36,40 por mês em Bitcoin — equivalente a R$ 189 com o dólar a R$ 5,19. O valor simbólico de 21 cents remete ao limite de 21 milhões de BTC. Há um vesting de dois anos para o bônus maduro, evitando saques imediatos.
A empresa também contribui com US$ 1.000 (R$ 5.190) para contas de poupança das crianças dos funcionários, chamadas de Trump Accounts, com benefícios fiscais nos EUA. Isso faz parte de uma estratégia maior: a rede aceita pagamentos em BTC via Lightning Network e mantém uma reserva estratégica de US$ 15 milhões em Bitcoin.
Para o trabalhador americano médio no setor de fast-food, que ganha cerca de US$ 12/hora, esse extra representa um acréscimo de 1,75% no salário — pequeno, mas inovador e com potencial de valorização.
Impacto Prático e Tributação nos EUA
Os bônus são pagos diretamente em sats (frações de Bitcoin) na carteira do funcionário. A empresa usa sua reserva de BTC para financiar isso, integrando cripto à tesouraria corporativa. É uma forma de atrair e reter talentos em um setor com alta rotatividade.
Nos EUA, o IRS tributa esses bônus como renda ordinária no momento do recebimento, com alíquota de até 37% dependendo da faixa. Qualquer ganho futuro ao vender o BTC é imposto como ganho de capital. No Brasil, se algo similar chegasse, entraria como rendimentos tributáveis no IRPF, com alíquota progressiva até 27,5%, mais regras da Instrução Normativa 1888 sobre declaração de cripto.
Segundo o Cointrader Monitor, o Bitcoin está a R$ 345.286 nesta terça (alta de 0,72% em 24h), o que valorizaria rapidamente esses bônus.
Cartões Pré-pagos da Pine Labs com Stablecoins
A fintech indiana Pine Labs vai lançar cartões pré-pagos em nove países do Oriente Médio, África e Sudeste Asiático até o fim de abril. O usuário carrega com stablecoins como USDT ou USDC de sua wallet, e no ponto de venda o valor é convertido para a moeda local — o lojista recebe em fiat.
Exclui Índia e China por barreiras regulatórias. No Sudeste Asiático, pode incluir nações como Singapura ou Indonésia, mas Brasil não está na lista inicial. O mercado de stablecoins supera US$ 310 bilhões, facilitando remessas e gastos sem volatilidade.
Para brasileiros, isso lembra cartões como o da Binance ou Mercado Pago, mas com foco em stablecoins para evitar oscilações do real.
Quando Chega ao Brasil e o Que Fazer Agora
No Brasil, adoção similar depende de clareza regulatória. Empresas como Nubank testam cripto, mas pagamento de salários em BTC ainda é raro por receio com Receita Federal. Tributação: declare no Carnê-Leão se acima de R$ 35 mil/mês, e vendas futuras com DARF mensal.
Enquanto isso, configure uma wallet como Electrum ou BlueWallet para sats, e use exchanges locais como Mercado Bitcoin para depósitos rápidos. Monitore projetos como o Real Digital do BC, que pode pavimentar stablecoins nacionais. Fique de olho: o futuro do salário pode vir com Bitcoin no bolso.
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