As ações cripto enfrentam uma queda acentuada em Wall Street, com a BitGo (BTGO) despencando quase 22% no segundo dia de negociação após seu IPO, fechando a US$ 14,50, abaixo do preço de oferta de US$ 18. Paralelamente, a Coinbase (COIN) recua cerca de 2% para US$ 218, em meio a preocupações com resultados do Q4 2025 e atrasos no CLARITY Act. Apesar do otimismo geral no mercado de ações, o setor cripto revela sinais de ressaca pós-hype.
Desempenho Fraco da BitGo Pós-IPO
A BitGo, provedora de custódia de ativos digitais pioneira no Wrapped Bitcoin (WBTC), realizou seu IPO na NYSE na quinta-feira (23/01/2026), captando mais de US$ 212 milhões a uma valuation de cerca de US$ 2 bilhões. O preço de abertura superou a faixa prospectada de US$ 15-17, mas o entusiasmo evaporou rapidamente. No segundo dia, as ações caíram 22%, contrastando com ganhos modestos no S&P 500 (+0,03%) e Nasdaq (+0,28%).
Fundada em 2013 e recentemente realocada para Sioux Falls, Dakota do Sul, a BitGo representa o primeiro IPO cripto de 2026. Analistas atribuem a queda à cautela institucional em meio à volatilidade do Bitcoin, que oscila em torno de US$ 89 mil, e à percepção de risco elevado em custódia de criptoativos. O movimento sugere falta de apetite sustentado por ações puramente expostas ao setor.
Pressões na Coinbase e Previsões de Receita
A Coinbase, maior exchange dos EUA, vê seu papel (COIN) sob pressão, com perda de 8% nos últimos cinco dias e 4% no ano. O declínio atual reflete modelagens de analistas como Compass Point, que reiteram rating de venda com alvo em US$ 190, prevendo um miss de 4% na receita do Q4 2025 em trading e serviços de assinatura.
Os volumes de negociação mais fracos e guidance conservador para Q1 2026 agravam o cenário. A divulgação de resultados está marcada para 12 de fevereiro, mas expectativas apontam para underwhelming performance, impulsionada por condições macroeconômicas e menor atividade no mercado cripto. Indicadores técnicos mostram o ativo em modo risk-off, com suporte entre US$ 200-220.
Atrasos no CLARITY Act Ampliam Incertezas
O impasse no CLARITY Act, legislação para clareza regulatória em cripto, pesa sobre o setor. Sem avanços significativos até fevereiro, conforme analistas, o bill enfrenta markup tardio em fevereiro ou março. Isso cria barreiras para adoção institucional, afetando diretamente custodiadoras como BitGo e exchanges como Coinbase.
A falta de progresso regulatório reforça a narrativa de risco regulatório persistente, mesmo com Bitcoin estável. Empresas cripto dependem de marcos legais para atrair capital de grandes investidores, e o atraso sinaliza volatilidade prolongada para ações do setor. Outros IPOs, como o SPAC ligado à Kraken, monitoram o impacto.
Volatilidade Normal ou Alerta Estrutural?
Dados objetivos indicam volatilidade inerente: BitGo exemplifica o pop and drop comum em IPOs de tech de alto risco, enquanto COIN reflete correlação com volumes cripto. Analistas como Danny Marques veem potencial de reversão, com indicadores semanais resetados e compressão sugerindo expansão para cima – possível 2x em 2026 se regulação avançar.
No entanto, a divergência com índices amplos sugere seletividade: apetite institucional fraco para pura exposição cripto. Investidores devem monitorar earnings da Coinbase e updates legislativos para sinais de estabilização.
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