De El Salvador à Etiópia: mais uma nação soberana entra no mapa da mineração estatal de Bitcoin. O primeiro-ministro Abiy Ahmed anunciou planos para usar energia limpa e o fundo soberano Ethiopian Investment Holdings (EIH) em operações de mineração de Bitcoin e criptoativos. Revelado no Finance Forward Ethiopia 2026, o movimento visa gerar receita, impulsionar inclusão financeira e posicionar o país como player global no ecossistema Bitcoin, aproveitando recursos renováveis abundantes.
Anúncio Estratégico no Fórum Financeiro
O primeiro-ministro etíope confirmou a iniciativa durante o Finance Forward Ethiopia 2026, destacando a busca por parceiros de investimento para operações via EIH, o maior fundo soberano da África. Essa abordagem estatal marca uma virada para a Etiópia, que já licencia mineração privada, mas agora avança para controle direto. A estratégia alinha-se à digitalização do setor financeiro e ao fortalecimento dos mercados de capitais, com foco em Bitcoin como ativo gerador de valor de longo prazo.
Com abundância de energia hidrelétrica da Grand Ethiopian Renaissance Dam (GERD), o país possui uma vantagem natural. Anteriormente, a Etiópia pausou novas licenças devido à pressão na rede elétrica, mas parcerias como a da Phoenix Group com a Ethiopian Electric Power sinalizam viabilidade. Agora, o governo prioriza mineração própria, reduzindo dependência de players estrangeiros e capturando lucros diretamente para o tesouro público.
Energia Limpa: Chave para Competitividade Global
A Etiópia destaca-se pela energia renovável barata, essencial em um setor de mineração criticado por consumo energético. Projetos hidrelétricos como o GERD fornecem eletricidade abundante e sustentável, permitindo custos operacionais baixos e atratividade para hashrate. Isso não só mitiga preocupações ambientais, mas posiciona o país à frente em uma era de mineração verde, alinhada a tendências globais de ESG.
Para investidores brasileiros, isso reforça a tese de diversificação geográfica do hashrate Bitcoin. Com nações estatais entrando, a rede torna-se mais resiliente a falhas regionais, como bans na China, elevando a segurança e o apelo como reserva de valor soberana. O EIH atuará como braço financeiro, potencializando retornos para o desenvolvimento nacional.
Nações Pioneiras na Mineração Estatal de BTC
A Etiópia junta-se a um grupo seleto de 11 países com mineração patrocinada pelo governo, incluindo Rússia, França, Butão, El Salvador e Emirados Árabes Unidos. O Japão, com adoção massiva via Metaplanet, é o mais recente. Segundo a VanEck, essa tendência reflete o reconhecimento do Bitcoin como ativo estratégico, impulsionado por políticas pró-cripto como as de Trump nos EUA.
Esses governos usam fundos soberanos para acumular BTC via mineração, criando reservas digitais paralelas ao ouro. Para o mercado, significa maior demanda por hardware e energia verde, além de validação institucional que atrai capital privado. A Etiópia, com sua infraestrutura em expansão, pode capturar fatia significativa do hashrate global.
Bitcoin como Reserva Estratégica para Nações
Esse anúncio fortalece a narrativa de alta do Bitcoin como reserva estratégica soberana. Países em desenvolvimento, como a Etiópia, veem na mineração uma via para monetizar recursos naturais sem vender commodities voláteis. Investidores globais ganham com a descentralização geográfica, reduzindo riscos centralizados e elevando o preço de piso do BTC.
Vale monitorar parcerias e o impacto no hashrate. Para brasileiros interessados em cripto, isso sinaliza expansão africana, abrindo oportunidades em energia e infraestrutura. O futuro aponta para mais nações adotando essa estratégia, consolidando o Bitcoin no portfólio estatal.
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