Enquanto o governo iraniano impõe blackouts de internet para silenciar protestos, manifestantes recorrem ao Bitchat, um app de comunicação offline ligado ao Bitcoin. Criado por pioneiros como Jack Dorsey, o aplicativo usa redes mesh via Bluetooth e o protocolo Nostr para manter as conexões vivas sem necessidade de internet. Essa é a freedom tech em ação, provando que o Bitcoin vai além de preços: é ferramenta de resistência e liberdade.
O Que é Bitchat e Como Ele Funciona?
Imagine um cenário onde a internet é desligada em escala nacional, mas as pessoas ainda conseguem se comunicar. É aí que entra o Bitchat, um aplicativo de mensagens desenvolvido por Jack Dorsey, ex-CEO do Twitter, e o desenvolvedor open-source Calle. Lançado em julho de 2025 como um projeto de fim de semana, ele opera sobre Bluetooth mesh networks — redes em malha onde dispositivos se conectam diretamente uns aos outros, formando uma cadeia de comunicação sem servidores centrais ou internet.
O segredo está no protocolo Nostr (Notes and Other Stuff Transmitted by Relays), uma tecnologia descentralizada nascida no ecossistema Bitcoin. Para iniciantes: pense no Nostr como um “Twitter resistente à censura”, onde mensagens são enviadas via relays independentes. No Bitchat, isso se combina com Bluetooth para criar uma rede local offline. Qualquer smartphone com o app pode atuar como nó, estendendo o alcance até quilômetros em áreas densas de usuários. É simples de usar e não requer configurações complexas, tornando-o acessível mesmo para quem está fugindo de repressão.
Essa inovação destaca como o Bitcoin inspira ferramentas práticas. Os princípios cypherpunk — privacidade via criptografia — garantem que mensagens sejam seguras e resistentes a bloqueios governamentais.
Adoção Rápida no Irã: Do Bitchat ao Fork Noghteha
No Irã, protestos intensos contra o regime islâmico explodiram nas últimas semanas. Em resposta, autoridades impuseram um blackout de telecomunicações nacional, bloqueando até serviços de satélite como Starlink. Iranianos voltaram-se para ferramentas de liberdade: Bitchat, Noghteha (um fork localizado do Bitchat) e Delta Chat.
O Noghteha, desenvolvido pelo ativista Nariman Gharib, é uma versão adaptada com interface em persa (Farsi), suporte total ao idioma e recursos locais. Lançado independentemente, sem financiamento governamental, ele explodiu em popularidade: mais de 70.000 downloads no Google Play em três dias antes do blackout total, em janeiro de 2026. A promoção veio via Iran International, canal de oposição via satélite, alcançando milhões.
Antes, o Bitchat já havia provado seu valor em protestos no Nepal, com 50.000 downloads em um dia. No Irã, a distribuição peer-to-peer via Bluetooth e sideload acelerou a adoção durante o apagão. É um exemplo vivo de como tecnologias open-source se adaptam a crises reais.
Desafios de Segurança e o Debate Open-Source
Apesar do sucesso, há controvérsias. O Noghteha é closed-source — código fechado —, o que preocupa desenvolvedores como Calle. Ele alerta para riscos: apps fechados podem conter backdoors ou spywares, especialmente com o regime iraniano lançando phishing e versões maliciosas. “Nunca use um mensageiro de privacidade closed-source!”, advertiu Calle em post no X.
O fork respeita a licença MIT do Bitchat, permitindo modificações, mas a falta de transparência gera debates. Ziya Sadr, pesquisador Bitcoin e ex-prisioneiro político, explica as táticas iranianas: links falsos e influencers infiltrados. Liberar o Noghteha perto do blackout minimizou interferências, mas levanta questões: open-source é sempre ideal em guerras de informação?
Nota do editor: usuários devem ser cautelosos com Noghteha. Ainda assim, relatos de campo confirmam seu uso amplo e eficaz por manifestantes.
Bitcoin Além do Preço: Lições de Liberdade
Esses eventos mostram o poder da freedom tech do ecossistema Bitcoin. Ferramentas como Bitchat e Nostr empoderam indivíduos contra opressão, promovendo autonomia em comunicações. Licenças permissivas como MIT facilitam adaptações globais, gerando lições para evoluções futuras contra censura sofisticada.
Para brasileiros atentos a cripto, é um lembrete: Bitcoin não é só investimento, mas base para tecnologias resistentes. Vale acompanhar como essas inovações se espalham, potencialmente inspirando usos em contextos locais de instabilidade. O futuro da liberdade digital depende disso.
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