Mark Karpelès, ex-CEO do Mt. Gox, propõe um hard fork no Bitcoin para recuperar 79.956 BTC hackeados há cerca de 15 anos, parados em um endereço conhecido (1FeexV6bAHb8ybZjqQMjJrcCrHGW9sb6uF). A sugestão, submetida via GitHub, tornaria válida uma transação sem chave privada original, quebrando a imutabilidade consensual. Em contraste, Vitalik Buterin delineia o roadmap de expansão da Ethereum, priorizando upgrades como Glamsterdam e ZK-EVM para reduzir custos de verificação sem alterar histórico. Essa ousadia no BTC reacende debates sobre irreversibilidade versus evolução técnica.
A Proposta de Hard Fork no Bitcoin
Um hard fork altera as regras de consenso, invalidando transações previamente rejeitadas. Aqui, o patch proposto por Karpelès adiciona uma regra permitindo mover os BTC do endereço hackeado para um de recuperação controlado pelo trustee Nobuaki Kobayashi. Como funciona: todos os nós atualizam antes de uma altura de ativação específica, validando essa exceção única.
Por que importa? Esses UTXOs são públicos há 15 anos, rastreados como roubados do Mt. Gox, que colapsou em 2014 após perder 750 mil BTC de clientes. Críticos, como no BitcoinTalk, alertam para precedentes perigosos: cada hack demandaria forks, erodindo a imutabilidade — pilar do Bitcoin como sistema irreversível e descentralizado, independente de jurisdições legais.
Karpelès reconhece o risco, mas argumenta pela singularidade do caso, com consenso comunitário e legal sobre a origem ilícita dos fundos. Credores afetados apoiam, vendo chance de restituição via estrutura existente de distribuição.
Glamsterdam: Expansão Curto Prazo na Ethereum
Vitalik estrutura o roadmap em fases. Curto prazo foca no upgrade Glamsterdam: block-level access lists habilitam verificação paralela de blocos — imagine nós processando transações simultaneamente, como threads em um processador multi-core, reduzindo tempo de validação.
Inclui ePBS (execution-encrypted PBS), estendendo janelas de verificação para mais transações por bloco; reprecificação de Gas alinhada a custos reais; e multi-dimensional Gas, separando métricas como estado (storage) de computação. Inicialmente, custos de criação de estado saem do limite Gas geral via “reservoir” para compatibilidade EVM, evitando state bloat — crescimento descontrolado do estado global que encarece nós.
Resultado: maior throughput sem hardware extra, mantendo descentralização.
ZK-EVM e Blobs: Visão Longo Prazo
Longo prazo: ZK-EVM em rollouts graduais — 5% dos nós em 2026, expansão em 2027, culminando em sistema 3-of-5 proofs, onde três de cinco provas ZK independentes validam blocos. Nós verificam provas criptográficas sem reexecutar transações, como um juiz checando assinatura digital em vez de refazer o crime.
Blobs expandem para 8 MB/s via PeerDAS, armazenando dados L2 eficientemente sem download total. Isso libera nós de execução pesada, baixando barreiras de entrada e suportando Gas limits elevados.
Por quê? Escalabilidade sustentável: Ethereum evolui via soft forks e provas, preservando histórico enquanto otimiza verificação.
Imutabilidade BTC vs Flexibilidade ETH
Bitcoin prioriza imutabilidade: forks são raros (ex: SegWit como soft fork), preservando confiança em transações finais. Alterar UTXOs históricos arrisca centralização, convidando intervenções estatais.
Ethereum, programável, usa upgrades coordenados para eficiência. Glamsterdam e ZK-EVM exemplificam: código é lei, mas iterável. Leitores atentem: no BTC, segurança imutável; no ETH, inovação escalável — escolha depende do trade-off entre rigidez e adaptação.
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