Michael Saylor, fundador da MicroStrategy e maior detentor corporativo de Bitcoin, afirmou que a queda de 45% do BTC desde sua máxima perto de US$ 125.000 espelha o ‘vale do desespero’ vivido pela Apple em 2013. Segundo o executivo em podcast recente, suportar correções profundas é essencial para investimentos tecnológicos bem-sucedidos, podendo levar anos para recuperação total. Mas a história mostra que nem toda narrativa otimista se concretiza.
A Analogia com a Apple de 2013
A comparação de Saylor remete ao período em que as ações da Apple caíram 45% de seu pico, negociadas a um múltiplo preço/lucro abaixo de 10, vistas como uma vaca leiteira exaurida apesar do sucesso do iPhone. Demorou sete anos, com apoio de investidores como Carl Icahn e Warren Buffett, para a empresa recuperar seu valuation anterior. Para Saylor, o Bitcoin atual, após 137 dias de retração, segue o mesmo script, podendo exigir dois a três anos — ou até sete — para renascer.
No entanto, o mercado cripto ignora lições passadas. Em 2018 e 2022, quedas semelhantes de mais de 70% marcaram mercados de baixa prolongados, sem a recuperação linear de ações tech tradicionais. A MicroStrategy, com seu tesouro atrelado ao BTC, tem interesse direto em sustentar essa tese institucional.
Contexto da Queda Atual do Bitcoin
O BTC despencou de US$ 125.000 para cerca de US$ 64.000, uma desvalorização de 45% que já gerou cicatrizes profundas. Em 5 de fevereiro, uma sessão violenta de US$ 70.000 para US$ 60.000 resultou em US$ 3,2 bilhões em perdas realizadas ajustadas por entidade — o maior evento único na história do Bitcoin, superando o colapso da Terra Luna, conforme Glassnode.
Segundo o Cointrader Monitor, o Bitcoin cotava a R$ 330.635,44 às 18h26 desta terça-feira (24/02), com variação de -1% nas últimas 24 horas e volume de 383,91 BTC. Saylor atribui a volatilidade mais contida a mudanças estruturais, como migração de derivativos para mercados regulados nos EUA e recusa de bancos tradicionais em conceder crédito contra holdings de BTC.
Ceticismo: Diferenças Fundamentais e Interesses
A história mostra que analogias com gigantes tech nem sempre cabem no cripto. Diferente da Apple, com receitas recorrentes e ecossistema fechado, o Bitcoin depende de narrativas macro, liquidez global e adoção volátil. Ciclos passados revelam exuberância seguida de correções brutais: a bolha dot-com e crises asiáticas ensinaram que ‘vales de desespero’ podem virar abismos se fundamentos falharem.
Saylor descarta FUDs como computação quântica e escrutínio Epstein sobre desenvolvedores Bitcoin Core, chamando-os de narrativas recicladas. Cuidado: como maior acionista da MicroStrategy, ele tem skin in the game bilionária. Bancos sombra e rehipotecação criam pressão vendedora artificial em stresses, ampliando riscos para holders institucionais.
O Que Isso Significa para Investidores Brasileiros
Para o brasileiro, exposto a dólar volátil e juros altos, o ‘ouro digital’ está sendo testado como reserva de valor. Sobreviver ao bear exige proteção de capital, não apostas heroicas. O mercado está ignorando que todo bull é seguido de bear — e este ciclo, com derivativos regulados, pode comprimir volatilidade para cima e para baixo, prolongando o ‘vale’.
Vale monitorar liquidez global, taxas de juros e correlações com ações. Saylor pode estar certo, mas a história sugere cautela: nem toda tecnologia vira Apple. Prepare-se para cenários de tempo doloroso, não apenas preço.
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