As atas da reunião de janeiro do FOMC revelaram pela primeira vez a possibilidade de aumento de juros caso a inflação nos EUA permaneça acima da meta de 2%, sinalizando um tom mais hawkish do que o esperado. Combinado às crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio, o Bitcoin está a caminho de sua quinta semana consecutiva de queda, a pior sequência desde 2022. Investidores globais reavaliam o apetite por risco em meio a um dólar fortalecido e petróleo em alta.
Tom Hawkish nas Atas do Fed
Os minutos da reunião do Federal Reserve de 27 e 28 de janeiro, divulgados nesta quinta-feira (19), mostram que a maioria dos participantes optou por manter a taxa de juros federais entre 3,50% e 3,75%. No entanto, vários membros alertaram para riscos de inflação mais persistente do que o previsto, com o CPI atual em 2,4%, ainda acima da meta. Pela primeira vez em documentos recentes, alguns participantes indicaram apoio a ajustes para cima na taxa se os preços não convergirem para 2% de forma firme.
O jornalista Nick Timiraos, conhecido como ‘transmissor do Fed’, destacou a ausência de prazos claros para o retorno à meta inflacionária nas projeções do staff, um sinal de que autoridades americanas perderam confiança na desinflação rápida. Essa mudança de tom encerra uma trégua esperada pelos mercados e pressiona ativos de risco como criptomoedas, que dependem de liquidez farta para valorizar.
Tensões Geopolíticas Aceleram a Queda do BTC
Paralelamente ao Fed, riscos geopolíticos no Oriente Médio intensificam a aversão ao risco. Relatos indicam que os EUA acumulam a maior concentração de poder aéreo na região desde 2003, com possibilidade de ataques ao Irã. Isso elevou o índice do dólar a 97,7, o mais alto desde 6 de fevereiro, e o petróleo WTI para US$ 65, de uma mínima de US$ 62.
Um dólar forte e commodities em alta apertam as condições financeiras globais, afetando especialmente o Bitcoin, que caiu mais de 50% desde o pico de US$ 126.500 em outubro. Em termos semanais, o BTC registra cinco quedas consecutivas, ecoando o mercado de baixa de 2022, quando acumulou nove semanas negativas.
Impacto no Mercado Brasileiro e Global
Segundo o Cointrader Monitor, o Bitcoin cotado a R$ 350.410,86 nesta quinta-feira às 06:50, com variação de -1,83% nas últimas 24 horas. O dólar subiu para R$ 5,2383, ampliando a pressão sobre ativos em reais. Para investidores brasileiros, esse cenário reforça a necessidade de monitorar decisões em Washington e eventos no Oriente Médio, que moldam o fluxo de capital global para cripto.
Em perspectiva geopolítica, sanções potenciais e instabilidade energética podem prolongar juros altos nos EUA, reduzindo o apelo de ativos voláteis. Países emergentes como o Brasil sentem o impacto via carry trade reverso e saída de capitais de risco.
Próximos Passos para Investidores
O mercado aguarda a próxima reunião do FOMC em 18 de março, com 94% de chance de manutenção das taxas segundo o CME FedWatch. No curto prazo, é provável que o Bitcoin teste suportes abaixo de US$ 67.000. Investidores globais devem diversificar fontes de informação, conectando políticas monetárias americanas a dinâmicas internacionais, para navegar essa fase de incerteza elevada.
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