O mapa regulatório cripto global se transforma rapidamente: o governo da Coreia do Sul revogou a proibição de nove anos ao uso de criptomoedas por empresas, permitindo investimentos limitados em ativos como Bitcoin e Ether. Em contraste, o presidente polonês vetou pela segunda vez um projeto para implementar a lei MiCA da UE, forçando firmas locais a buscar licenças no exterior. Essas decisões opostas sinalizam uma reorganização macro que pode redirecionar fluxos de capital entre Ásia e Europa.
Abertura Cautelosa na Coreia do Sul
A Comissão de Serviços Financeiros (FSC) sul-coreana encerrou a restrição imposta em 2017, motivada por temores de especulação retail, lavagem de dinheiro e instabilidade financeira. Agora, cerca de 3.500 organizações, incluindo empresas listadas e gestoras profissionais, podem alocar até 5% do capital acionário anual em cripto. Os investimentos ficam restritos às 20 maiores criptomoedas por capitalização, negociadas nas cinco exchanges reguladas locais.
Essa medida integra a “Estratégia de Crescimento Econômico de 2026”, que inclui leis para stablecoins e ETFs spot de cripto. Autoridades implementam salvaguardas como execução escalonada de ordens para mitigar volatilidade. Diferente de EUA e Japão, onde não há tetos fixos, a Coreia adota caminho conservador, priorizando estabilidade sistêmica enquanto observa influxos institucionais graduais.
Segundo Veto Polonês ao MiCA
O presidente Karol Nawrocki rejeitou o projeto de lei 2064 por considerá-lo “praticamente idêntico” ao anterior, vetado em dezembro. Críticos, como o político Tomasz Mentzen, veem na proposta uma super-regulação que afasta inovação. Nawrocki enfatizou: “A Polônia deve atrair inovação, não repeli-la”.
A Autoridade de Supervisão Financeira (KNF) alerta para a ausência de autoridade competente local até o prazo MiCA de 1º de julho de 2026. Empresas como Kanga Exchange e Zonda Crypto, de raízes polonesas, já buscam licenças em Estônia e Luxemburgo, criando assimetria regulatória: estrangeiras como Coinbase operam livremente, enquanto locais enfrentam limbo jurídico.
Impactos no Fluxo de Capital Global
Na Coreia, a entrada corporativa pode elevar a liquidez doméstica, reduzindo spreads e dominância retail, mas o limite de 5% freia influxos massivos iniciais. Conglomerados coreanos, já familiarizados com blockchain em supply chains, testarão tesourarias em BTC, similar ao Metaplanet japonês. Isso atrai produtos como ETFs e custódia, fortalecendo Seul como hub asiático contra Hong Kong e Singapura.
Na Polônia, o veto impulsiona êxodo para jurisdições MiCA-friendly, drenando capital de exchanges locais e beneficiando centros como Luxemburgo. Economistas como Krzysztof Piech preparam projetos mais amigáveis, mas o atraso cria desequilíbrio: firmas polonesas menores podem sair do mercado, enquanto globais ganham terreno.
Reconfiguração Macro e Lições para Investidores
Esses movimentos opostos ilustram a geopolítica cripto: Ásia avança com controles locais, Europa enfrenta fragmentação apesar do MiCA unificado. Para investidores brasileiros, monitorar esses fluxos é essencial — abertura coreana pode pressionar liquidez global em BTC/ETH, enquanto bloqueios europeus redirecionam capitais para exchanges asiáticas ou americanas. Autoridades equilibram inovação e riscos como volatilidade e custódia, moldando o ecossistema onde o capital fluirá.
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⚠️ Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Faça sua própria pesquisa antes de tomar decisões financeiras.