Crime on-chain: mineradores ilegais em Alagoas desviavam água do Rio São Francisco para resfriar rigs de Bitcoin, enquanto furtavam 200 mil kWh/mês de energia elétrica, segundo a Polícia Civil. A operação, deflagrada em 9 de janeiro de 2026 em Porto Real do Colégio, desmantelou quatro fazendas clandestinas e expôs como o crime organizado explora recursos públicos, gerando prejuízos de R$ 155 mil mensais e manchando a reputação da mineração legítima de criptomoedas.
Detalhes da Operação Policial
A Polícia Civil de Alagoas agiu contra instalações equipadas com máquinas de alta potência, localizadas em áreas rurais de Porto Real do Colégio. Os criminosos instalavam bombas para captar água diretamente do rio, usada no resfriamento dos equipamentos de proof-of-work. Paralelamente, ligações clandestinas – conhecidas como ‘gatos’ – desviavam eletricidade da rede pública, sobrecarregando o sistema local.
Embora não haja prisões imediatas no momento da ação, as investigações prosseguem para identificar os responsáveis. Equipamentos foram apreendidos, e perícias analisam vestígios digitais para rastrear os criptoativos produzidos. Casos semelhantes no Distrito Federal reforçam o padrão de operações sofisticadas em regiões rurais brasileiras.
Escala dos Furtos: Energia e Água
O consumo estimado de 200 mil kWh/mês equivale ao uso de cerca de mil residências, resultando em prejuízo de R$ 155 mil por mês à companhia elétrica – totalizando R$ 775 mil em cinco meses. As ligações irregulares causavam instabilidades na rede, queimando eletrodomésticos de moradores próximos e elevando custos indiretos para a população.
O desvio de água do São Francisco agrava o impacto ambiental. O rio, vital para o Nordeste, é explorado sem autorização, comprometendo ecossistemas e suprimento hídrico regional. Essa predatória mineração ignora regulamentações e explora vulnerabilidades infraestruturais para lucrar com a valorização do Bitcoin.
Impactos Sociais e na Infraestrutura Local
Moradores de Porto Real do Colégio sofrem com interrupções no fornecimento de energia e água, além de riscos à segurança pública. As fazendas ilegais, muitas em áreas rurais isoladas, facilitam ações criminosas adicionais, como roubo de cabos de dados e telefonia, observado em operações semelhantes no DF.
Autoridades destacam a sofisticação dos esquemas, com análise on-chain para mapear fluxos de criptomoedas geradas. Isso demonstra a crescente capacidade investigativa brasileira, mas revela a necessidade de fiscalização mais rigorosa em regiões suscetíveis a esses crimes.
Mancha na Imagem da Mineração Legítima
Enquanto mineradores éticos investem em energia renovável e compliance, operações como essas distorcem a percepção pública. Prejuízos aos cofres públicos e danos ambientais associam o setor cripto ao crime organizado, pressionando reguladores por normas mais estritas. Investidores devem monitorar origens de hashrate para evitar riscos de sanções em exchanges reguladas.
A recorrência – de Alagoas ao Ceará e DF – sinaliza um problema estrutural. Autoridades e o setor precisam de ações coordenadas para preservar a credibilidade da mineração responsável no Brasil.
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