Um relatório da Elliptic, publicado em 23 de fevereiro de 2026, identifica cinco plataformas cripto ligadas à Rússia que continuam facilitando a evasão de sanções ocidentais impostas após a invasão da Ucrânia em 2022. Bitpapa, ABCeX, Exmo, Rapira e Aifory Pro formam uma rede que converte rublos em ativos digitais, permitindo transferências cross-border fora do sistema bancário tradicional. Autoridades dos EUA e UE congelaram bilhões em ativos russos, mas o cripto persiste como brecha.
O Mapa da Evasão: As 5 Plataformas em Destaque
A investigação da Elliptic destaca Bitpapa, uma exchange P2P registrada nos Emirados Árabes Unidos e sancionada pelo OFAC em março de 2024. Cerca de 9,7% de seus fluxos de saída vão para entidades sancionadas, incluindo 5% para a exchange Garantex, também ligada à Rússia. A plataforma rota endereços de wallets para dificultar rastreamento.
ABCeX, operando da Federation Tower em Moscou, processou mais de US$ 11 bilhões em transações, com fluxos diretos para Garantex e Aifory Pro. Rapira movimentou US$ 72 milhões com a sancionada Grinex, enquanto Aifory Pro oferece cash-to-crypto em Moscou, Dubai e Turquia, emitindo cartões virtuais financiados por USDT para acessar serviços bloqueados.
Exmo, que alega ter saído do mercado russo, compartilha infraestrutura de wallets com Exmo.me, com US$ 19,5 milhões em transações mistas com grupos sancionados. Essas plataformas criam rotas paralelas ao sistema financeiro global, segundo o relatório.
Contexto Geopolítico das Sanções
Desde a invasão da Ucrânia, governos ocidentais impuseram restrições a energia, finanças e bens estratégicos russos. A UE congelou cerca de US$ 250 bilhões em ativos, e o Reino Unido, US$ 35 bilhões. No cripto, stablecoins como USDT e o rublo-peggado A7A5 emergem como ferramentas chave. Um relatório anterior da Elliptic apontou que transações com A7A5 superaram US$ 100 bilhões.
Outro estudo da TRM Labs revelou que entidades ilícitas receberam US$ 141 bilhões em stablecoins em 2025, com 86% ligados a sanções — mais da metade via A7A5, cujos executivos russos negam ilegalidades. Isso reflete uma tendência global: cripto como infraestrutura de contorno em disputas geopolíticas, afetando jurisdições de Washington a Bruxelas.
Riscos Regulatórios e Impacto no Mercado
O achado reforça o escrutínio sobre exchanges não reguladas. Autoridades americanas e europeias intensificam o monitoramento on-chain, com o OFAC expandindo a lista de sancionados. Para investidores globais, isso eleva riscos de compliance: plataformas com laços russos podem enfrentar bloqueios ou congelamentos de fundos.
No Brasil, onde o cripto ganha tração, decisões em capitais como Moscou repercutem via regulação local e internacional. Exchanges globais como Binance e Coinbase já ajustam políticas para mitigar exposição, priorizando KYC rigoroso. O relatório Elliptic alerta que, apesar do foco regulatório, a infraestrutura cripto continua vulnerável a atores sancionados.
Próximos Passos e Perspectivas Globais
Investidores devem monitorar atualizações do OFAC e da UE, além de relatórios de analytics como Elliptic e TRM Labs. A neutralidade do blockchain permite inovação, mas também desafia enforcement de sanções. Países como China e Índia observam, moldando suas próprias regras para CBDCs e cripto privado.
Essa rede russa exemplifica como geopolítica redefine o ecossistema: o que começa como brecha pode virar catalisador para normas globais mais rígidas, impactando liquidez e adoção em mercados emergentes como o brasileiro.
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