A BlackRock iniciou as compras de ETH para seu novo ETF iShares Staked Ethereum Trust (ETHB), com uma injeção inicial de US$ 100 mil via 4.000 ações. O produto promete rendimentos via staking de 2,8% a 3% ao ano, mas gestora e Coinbase retêm 18% dos ganhos brutos. Isso commoditiza o yield nativo do Ethereum para Wall Street, levantando questões sobre custo-benefício versus staking direto.
Mecânica Técnica do ETF ETHB
O ETHB opera como um fundo fechado que detém ETH diretamente, diferentemente de derivativos. Sob condições normais, entre 70% e 95% dos ativos serão alocados em staking, com o restante em ETH líquido para criações/redenções e liquidez operacional. Coinbase atua como custodiante e agente executor, delegando ETH a validadores na rede Ethereum.
Isso funciona como um banco de dados distribuído: validadores propõem blocos e recebem recompensas por uptime e finality. O ETF automatiza isso, expondo investidores a yields sem gerenciar nós ou chaves privadas. A semente inicial permite acumular ETH imediatamente, preparando para listagem na Nasdaq, conforme atualização do S-1 à SEC.
Dados on-chain de início de 2026 indicam APR médio de staking próximo a 3%, influenciado por TVL e emissões pós-Merge. Com mais validadores, yields tendem a cair, similar a redes proof-of-stake maduras.
Estrutura de Taxas e Retenção de Yield
A divisão é clara: 82% dos rendimentos brutos de staking vão para o fundo e acionistas; BlackRock e Coinbase ficam com 18%. Há ainda taxa de patrocinador de 0,25% ao ano (isentada para 0,12% nos primeiros US$ 2,5 bi por 12 meses). Para um yield bruto de 3%, o líquido fica em torno de 2,46% após retenção, menos taxa anual.
O acordo incentiva maximizar ETH staked, alinhando interesses. No entanto, comparado a protocolos DeFi como Lido ou Rocket Pool — onde yields líquidos superam 3,5% sem cortes fixos de 18% —, o ETF prioriza conformidade regulatória sobre eficiência. O projeto mira institucionais, que valorizam custódia qualificada.
Staking Direto vs. ETF: Rentabilidade e Riscos
No staking direto, usuários depositam 32 ETH por validador ou usam pools de liquid staking (ex.: stETH), capturando yields plenos menos taxas de gás mínimas. APR atual ~3-4%, sem retenções intermediárias. Vantagem: controle total, composability em DeFi.
O ETF oferece segurança regulada: sem risco de slashing pessoal (punição por downtime), exposição via corretoras tradicionais e diversificação. Mas é mais caro: 18% + 0,25% erode yield significativamente. Para brasileiros, ETH cotado a R$ 10.577 (AwesomeAPI), um ETF acessível via B3 seria prático, mas custódia centralizada aumenta contraparte risk.
Vitalik Buterin alertou para centralização: gigantes como BlackRock concentram ETH staked, potencialmente >50% do supply. Métricas on-chain mostram ETHA já com US$ 6,5 bi AUM.
Implicações para o Ecossistema Ethereum
Essa estrutura reempacota staking como produto CeFi, atraindo trilhões em AUM tradicional. BlackRock domina com IBIT (BTC) e ETHA. Yield commoditizado facilita adoção, mas dilui soberania DeFi. Investidores devem monitorar APR on-chain via beaconcha.in e TVL em Dune Analytics para validar projeções.
Para quem busca yield passivo sem complicações técnicas, ETHB pode valer; técnicos preferem direto. Aguarde aprovação SEC para lançamento.
📌 Nota: Uma ou mais fontes citadas estavam temporariamente indisponíveis no momento da redação.
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