O governo chinês revogou o banimento total de criptomoedas de 2021, substituindo-o por um regime regulatório mais rigoroso que abre uma via estreita para ativos do mundo real (RWA) sob controle estatal. Emitido por oito ministérios, o novo circular expande proibições a atividades não autorizadas, enquanto permite tokenização apenas em infraestrutura designada ou com aprovação da CSRC. Essa mudança, anunciada em 9 de fevereiro de 2026, reforça o controle de Pequim sobre finanças digitais, sem abrir portas para criptomoedas permissionless como o Bitcoin.
Detalhes do Novo Framework Regulatório
A nova estrutura regulatória, que revoga o aviso de 2021, proíbe explicitamente negociações de virtual currencies, serviços de exchange e ICOs, estendendo a interdição a RWAs fora de canais estatais. Pela primeira vez, o documento reconhece legalmente a tokenização de ativos reais, mas impõe condições draconianas: RWAs domésticos devem operar exclusivamente em “infraestrutura financeira designada”, como exchanges de dados estatais, criando um jardim murado sob supervisão governamental direta.
Para RWAs cross-border — incluindo títulos tokenizados emitidos no exterior com ativos chineses —, aplica-se um regime de arquivamento rigoroso da China Securities Regulatory Commission (CSRC), detalhado no Documento No. 1 (2026). Esse exige divulgações extensas e uma “lista negativa” de ativos proibidos, limitando severamente o escopo. Instituições financeiras só podem oferecer custódia e liquidação a projetos pré-aprovados, consolidando o Estado como gatekeeper central.
Contexto Geopolítico: Desacoplamiento com os EUA
Essa manobra regulatória ocorre em meio a tensões crescentes, como a pressão sobre bancos chineses para reduzir exposição a Títulos do Tesouro americano. Autoridades de Pequim orientam instituições financeiras a diversificar riscos, citando volatilidade de mercado, enquanto o governo chinês já cortou suas reservas de US$ 1 trilhão para US$ 682 bilhões. Essa venda contribui para yields elevados em bonds de longo prazo (30 anos a 4,90%) e alta no ouro acima de US$ 5.000.
O movimento reflete um desacoplamento estratégico da economia dos EUA, usando tokenização para moldar uma infraestrutura financeira soberana. No mercado cripto, o Bitcoin recuou abaixo de US$ 70.000, com o Fear & Greed Index em zona de extremo medo (9 pontos), volume caindo 12% para US$ 100 bilhões e open interest de futuros em US$ 96 bilhões — sinais de deleveraging.
Segundo o Cointrader Monitor, o Bitcoin cotava a R$ 365.980,53 (-1,39% em 24h), refletindo pressão global.
Implicações para o Mercado Global e Investidores
A reação inicial do mercado — alta em ações de firmas licenciadas em Hong Kong — foi um equívoco: não se trata de abertura ampla para RWA, mas de adoção seletiva da tecnologia de tokenização, preservando oposição a mercados permissionless. Pequim constrói um futuro tokenizado onde o Estado define participantes, influenciando tendências globais em RWA e CBDCs.
Para investidores brasileiros, isso destaca a importância de diversificação geopolítica. Regulações chinesas podem acelerar fluxos para jurisdições amigáveis como EUA e UE, mas também sinalizam que grandes economias buscam controle sobre ativos digitais. Vale monitorar aprovações CSRC e impactos em yields globais, que afetam apetite por risco em cripto.
Em um cenário de volatilidade, com posições liquidadas em US$ 356 milhões, o foco deve ser em fundamentos: a China não abraçou o Bitcoin, mas sua própria versão de cripto estatal.
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