Reguladores cartoon com lupas avançando sobre torre de exchange rachada com '44B', simbolizando caça regulatória sul-coreana após erro na Bithumb

Coreia do Sul Inicia Caça Regulatória Após Erro de US$ 44 Bilhões na Bithumb

O erro operacional na Bithumb, que creditou erroneamente bilhões de dólares em Bitcoin a usuários, acelerou a resposta dura das autoridades sul-coreanas. O Serviço de Supervisão Financeira (FSS) anunciou investigações ampliadas contra manipulação de preços em 2026, enquanto a Comissão de Serviços Financeiros (FSC) ordenou revisões emergenciais. Esse incidente de US$ 44 bilhões expõe vulnerabilidades e impulsiona um arcabouço regulatório mais rígido no país líder em adoção cripto.


O Incidente que Abalou a Bithumb

Durante uma promoção na sexta-feira passada, a exchange Bithumb, uma das maiores da Coreia do Sul, creditou acidentalmente pelo menos 2.000 BTC por usuário a 695 clientes, em vez de pequenas recompensas. O erro, avaliado em cerca de US$ 44 bilhões pelo preço da época, causou uma queda de 30% no preço do Bitcoin na plataforma, abaixo da média global. A Bithumb agiu em 35 minutos, restringindo negociações e saques dos afetados, e recuperou 99,7% dos ativos excessivos.

Para mitigar danos, a exchange isentou taxas por uma semana e ofereceu restituição integral mais 10% extra a quem vendeu em pânico. Ainda assim, o episódio revelou falhas em controles internos, superando em dez vezes os saldos reais da plataforma, conforme detalhes do blunder.

Resposta Imediata dos Reguladores

O governo sul-coreano, através da FSC, convocou uma inspeção de emergência no domingo, envolvendo o FSS e a Unidade de Inteligência Financeira da Coreia (KoFIU). Autoridades ordenaram uma revisão abrangente dos controles internos em todas as exchanges domésticas. O governador do FSS, Lee Chang-jin, delineou investigações contra táticas de alto risco, como operações de baleias, manipulações durante suspensões de depósitos — conhecidas localmente como “gating” — e esquemas coordenados via APIs ou desinformação em redes sociais.

Essa reação reflete uma tendência geopolítica: falhas privadas catalisam intervenções estatais em mercados emergentes como o cripto sul-coreano, onde o volume de negociações rivaliza com o dos EUA.

Ferramentas de Vigilância e Novas Regras

Para 2026, o FSS implementará detecção automatizada com IA, analisando movimentos de preços em intervalos de segundos e minutos, além de ferramentas de análise textual para identificar coordenação em mídias sociais. Incidentes semelhantes ao da Bithumb levarão a multas punitivas por falhas de TI e maior responsabilidade para CEOs e diretores de segurança.

Uma equipe preparatória foi criada para o Basic Digital Asset Act, expandindo o framework regulatório com foco em disclosures, licenças e supervisão de exchanges. Autoridades relatarão detalhes do incidente à Assembleia Nacional, sinalizando escrutínio contínuo.

Implicações Globais para Exchanges e Investidores

Na perspectiva internacional, a Coreia do Sul se posiciona como pioneira em regulação cripto rigorosa, influenciando jurisdições como UE e EUA. Exchanges locais enfrentarão inspeções in loco se irregularidades persistirem, priorizando ativos lastreados em reservas reais. Para investidores brasileiros, isso reforça a necessidade de diversificação além de plataformas domésticas, monitorando como decisões em Seul afetam liquidez global e preços de Bitcoin.

O erro de US$ 44 bilhões não só mudou as regras na Coreia do Sul, mas exemplifica como vulnerabilidades operacionais aceleram o “braço pesado do Estado” em ecossistemas financeiros descentralizados.


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