Quem diria que o criador do Ethereum, Vitalik Buterin, seria pego no flagra como um trader de elite? Em entrevista recente, ele confessou ter lucrado US$ 70 mil no Polymarket no ano passado, apostando contra a ‘loucura coletiva’ dos participantes. Com investimento inicial de US$ 440 mil, o retorno na casa dos 15% veio de mercados irracionais sobre Trump ganhando Nobel ou dólar zerando. Mas, ó ironia, o mesmo Vitalik alerta para falhas graves nos oráculos da plataforma.
Estratégia de Apostas: Apostando Contra a Irracionalidade
Vitalik não é de seguir a euforia. Sua tática no Polymarket? Identificar mercados em ‘modo loucura’ e apostar no oposto. ‘Procuro mercados irracionais e aposto que a loucura não vai acontecer’, explicou ele. Exemplos clássicos incluem probabilidades absurdas como Donald Trump levando o Nobel da Paz ou o dólar americano colapsando para zero em meio a pânicos passageiros.
O foco está em política e tecnologia, arenas onde o fervor coletivo nubla o julgamento. Com um investimento inicial modesto para seus padrões – US$ 440 mil –, ele transformou isso em US$ 70 mil de lucro líquido. Nada mal para alguém que prega a racionalidade em blockchains. Enquanto traders comuns se queimam com swings de manchetes, Vitalik joga no mean reversion comportamental, lucrando com a previsibilidade da imprevisibilidade humana.
É quase poético: o arquiteto de contratos inteligentes reduzindo mercados de previsão a um exercício de contrarianismo. Mas será que isso é sustentável em plataformas on-chain?
O Contraste: Lucrando Enquanto Alerta Riscos
Aí vem a parte irônica. Enquanto ostenta seus ganhos, Vitalik não poupa críticas à infraestrutura subjacente. Ele cita um caso alarmante: um mercado sobre a guerra na Ucrânia, resolvido com base em mapas do Institute for the Study of War (ISW). Funcionários do ISW – acidental ou intencionalmente – alteraram os dados, fazendo uma probabilidade de 5% saltar para 100% instantaneamente.
O oráculo ancorado em tweets e mapas do ISW falhou feio. Mesmo com retratação no dia seguinte, os fundos já podiam ter sido distribuídos. ‘Fontes Web2 como sites de notícias e Twitter nunca imaginaram que um post determinaria US$ 1 milhão em blockchain’, disparou Vitalik. Paga para ver: o rei dos contratos inteligentes lucrando em uma plataforma cujos oráculos ele mesmo considera inseguros.
É o clássico ‘faça o que eu digo, não o que eu faço’? Ou apenas realismo de quem conhece os limites da tecnologia que ajudou a criar?
Soluções Propostas e Lições para o Mercado
Para consertar os oráculos frágeis, Vitalik sugere duas vias. A primeira: confiança centralizada, com editores autorizados como a Bloomberg definindo a verdade oficial. A segunda: votação por tokens, como no UMA, mas com ressalvas. ‘Baleias podem dominar e punir minorias que votam pela verdade real’, alerta, apontando fraquezas game-teóricas.
No fim, o episódio reforça que mercados de previsão são poderosos, mas dependem de feeds de dados confiáveis. Para traders brasileiros, vale monitorar: plataformas como Polymarket crescem, mas riscos persistem. Ethereum negociava a US$ 3.010 na época da entrevista, preso entre suportes Fib. Vitalik, o trader-filósofo, nos lembra: lucros vêm da loucura alheia, mas oráculos ruins podem virar o jogo.
Enquanto isso, o resto de nós continua tentando decifrar o próximo movimento do ETH.
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