Uma vitória silenciosa para o setor cripto emerge nos bastidores regulatórios globais: o senador Roger Marshall desistiu de uma emenda que poderia atrasar o CLARITY Act nos EUA, enquanto a Austrália coloca lacunas de supervisão em cripto na lista de riscos para 2026. Esses desenvolvimentos, ocorridos nesta semana, indicam um cerco regulatório mais estruturado, beneficiando a clareza para investidores em meio à fragmentação geopolítica.
Recuo Estratégico no Congresso Americano
O senador republicano Roger Marshall, do Kansas, concordou em não apresentar sua emenda sobre taxas de swipe de cartões de crédito durante a markup do Comitê de Agricultura do Senado, marcada para 29 de janeiro. A proposta, similar à Credit Card Competition Act, era vista como obstáculo por republicanos pró-cripto, pois colocaria instituições financeiras em conflito com varejistas.
Fontes familiarizadas com as negociações revelam que a decisão foi tomada no fim de semana, após discussões privadas. Isso pavimenta o caminho para o CLARITY Act, que define estrutura de mercado cripto, protegendo desenvolvedores de software não custodiais e provedores de infraestrutura blockchain. A Casa Branca monitorou de perto, temendo derrocada da legislação.
Outras emendas persistem, como regras éticas para oficiais, manutenção de comissários na CFTC e limites a adversários estrangeiros, mas o texto atual é elogiado pela indústria por focar em intermediários, não em protocolos ou usuários finais.
Austrália Enfrenta Lacunas de Supervisão
A Comissão de Valores Mobiliários e Investimentos da Austrália (ASIC) incluiu lacunas regulatórias em cripto em sua lista de riscos para 2026. Empresas de cripto, pagamentos e IA operam na periferia das regras, expondo consumidores a conselhos não licenciados e condutas enganosas.
Em resposta, o governo avança com o Corporations Amendment (Digital Assets Framework) Bill 2025, exigindo licenças Australian Financial Services para plataformas de custódia e trading. A medida promete ganhos de produtividade de US$ 24 bilhões anuais, promovendo conformidade e inovação.
Especialistas como Darcy Allen, da RMIT University, defendem perímetro regulatório claro e sandboxes expandidos para experimentação segura, enquanto James Volpe, da uCubed, destaca a evolução das regras, mas alerta para gaps educacionais no setor.
Implicações Geopolíticas Globais
Esses avanços nos EUA e Austrália refletem padrões de conformidade globais em maturação. Fora do eixo político polarizado, leis se moldam para equilibrar inovação e proteção, contrastando com fragmentação em outras jurisdições. Para brasileiros, isso sinaliza estabilidade para exchanges internacionais e potenciais modelos locais.
O CLARITY Act pode influenciar a SEC e CFTC, enquanto a Austrália inspira nações emergentes em adoção de licenças específicas. Investidores ganham previsibilidade, reduzindo riscos de enforcement imprevisível.
Próximos Passos e Monitoramento
A votação do CLARITY Act ocorre quinta-feira, com negociações bipartidárias em curso. Na Austrália, o sandbox regulatório aprimorado testa produtos sem licença plena. Vale monitorar como esses marcos afetam fluxos de capital e adoção em mercados como o Brasil.
Essas pequenas vitórias estruturam um ecossistema mais maduro, onde o cerco regulatório fecha de forma diplomática, favorecendo participantes conformes.
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