O Banco Central do Irã acumulou pelo menos US$ 507 milhões em USDT, stablecoin da Tether, para driblar sanções americanas e estabilizar o Rial, que perdeu metade do valor em oito meses. Relatório da Elliptic, publicado em 21 de janeiro de 2026, expõe o esquema como uma ferramenta de política monetária e evasão financeira, criando ‘dólares sintéticos’ fora do alcance dos EUA. Isso eleva riscos regulatórios para a Tether.
O Esquema do Banco Central Iraniano
O regime de Teerã operou uma rede secreta de carteiras para acumular os fundos, principalmente entre abril e maio de 2025, pagos com Dirhams dos Emirados Árabes Unidos (AED). Inicialmente, os recursos fluíam para a Nobitex, maior exchange iraniana, injetando liquidez em dólar no mercado local e ajudando a conter o colapso cambial do Rial.
Essa estratégia permitiu operações de mercado aberto, comprando Rial com USDT para sustentar sua cotação. Equivalente a mais de R$ 2,67 bilhões (cotação USD-BRL de R$ 5,28 em 26/01/2026), o montante reforça a dependência de criptoativos em economias sancionadas.
Do Hack à Mudança Tática
Em junho de 2025, um ataque cibernético do grupo pró-Israel ‘Gonjeshke Darande’ à Nobitex destruiu US$ 90 milhões, alegando financiamento ao terrorismo. Isso forçou o CBI a migrar para pontes cross-chain, transferindo USDT da rede Tron para Ethereum e usando DEXs para ofuscar transações.
Essa descentralização criou uma infraestrutura bancária paralela, permitindo pagamentos de importações e repatriação de exportações sem o sistema SWIFT ou bancos americanos. A transparência da blockchain, porém, facilitou o rastreamento pela Elliptic.
Riscos para Tether e Regulação Global
A Tether já interveio, congelando US$ 37 milhões em carteiras ligadas ao CBI em 15 de junho de 2025. Casos como esse posicionam o USDT como escudo financeiro para Estados-nação sancionados, como Irã, Rússia e Venezuela, atraindo escrutínio de reguladores ocidentais.
Autoridades americanas podem pressionar por mais transparência ou restrições à stablecoin, que domina 70% do mercado. Investidores monitoram se isso afeta a confiança no ativo, usado por bilhões em volume diário.
Implicações Geopolíticas
No tabuleiro global, o uso de USDT pelo Irã destaca como criptoativos desafiam sanções, mas também expõem vulnerabilidades. Diferente de redes como Hawala, blockchains deixam rastros permanentes, empoderando análises on-chain para enforcement legal.
Para brasileiros, isso sinaliza riscos em stablecoins para transações internacionais, especialmente em contextos voláteis. Vale acompanhar ações da Tether e respostas dos EUA.
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