Um relatório da Elliptic revela que o stablecoin russo A7A5, atrelado ao rublo, processou mais de US$ 100 bilhões em transações em menos de um ano, servindo como ponte para o USDT e burlando sanções ocidentais. Enquanto isso, o Banco Central do Irã acumulou US$ 507 milhões em USDT para intervenções cambiais, mas viu carteiras congeladas pela Tether. Esses fluxos expõem como cripto vira duto de evasão sob o nariz de EUA, UE e Reino Unido.
A7A5: A Ponte Rublo-USDT de US$ 100 Bilhões
O stablecoin A7A5, emitido em blockchains Ethereum e Tron, acumulou 250 mil transações entre 41.300 carteiras desde o lançamento em 2025. Com volume de exchange de US$ 17,3 bilhões, principalmente em pares A7A5/RUB (US$ 11,2 bilhões) e A7A5/USDT (US$ 6,1 bilhões), atuou como ferramenta para converter rublos em dólares sintéticos, facilitando comércio cross-border sob sanções pós-invasão da Ucrânia.
Em circulação, há 42,5 bilhões de A7A5, equivalentes a US$ 547 milhões. A estrutura permitiu a russos movimentarem valores sem exposição prolongada a carteiras rastreáveis, isolando o ativo do ecossistema cripto global mais amplo, onde a Rússia tem 20 milhões de usuários e US$ 376 bilhões em recebimentos anuais.
Sanções Freiam o Ímpeto Russo
A atividade do A7A5 explodiu inicialmente, com picos diários de US$ 1,5 bilhão, mas desacelerou para US$ 500 milhões após sanções dos EUA em agosto 2025, seguidas por Reino Unido, UE e bloqueio na Uniswap em novembro. Não há emissões significativas desde julho 2025. A liquidez USDT para A7A5 despencou, limitando seu papel como ponte.
Entidades russas foram sancionadas por facilitar evasão via cripto, com colaboração Elliptic-Tether congelando USDT na exchange Garantex em março 2025. Apenas o emissor do A7A5 pode blacklistar endereços, destacando limites de stablecoins não-dólar em finanças sancionadas.
Irã: USDT para Resgatar o Rial, mas Congelado
Paralelamente, o Banco Central iraniano (CBI) usou US$ 507 milhões em USDT para intervenções FX no Nobitex, injetando liquidez dólar no mercado local e criando ‘eurodólares digitais off-book’ para liquidação de importações/exportações. Após hack no Nobitex em junho 2025, migraram para bridges cross-chain e DEXs.
A Tether congelou US$ 37 milhões em carteiras CBI em 15 de junho 2025, demonstrando o controle centralizado de emissores sobre stablecoins. A transparência on-chain permitiu rastreio, apesar das tentativas de ofuscação.
Transparência vs. Controle: Lições para o Mercado
Esses casos ilustram o dualismo das stablecoins: burlando bancos tradicionais, mas vulneráveis à análise blockchain e blacklists de emissores. Rússia e Irã testam limites, mas sanções e congelos mostram enforcement possível. Para traders, vale monitorar riscos de compliance em fluxos sancionados, enquanto reguladores intensificam vigilância sobre USDT e similares.
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