Tokens de ETF: Wall Street quer transformar ações em ativos digitais 24/7. A gestora F/m Investments, com US$ 18 bilhões em ativos, protocolou na SEC o primeiro pedido para tokenizar cotas de seu ETF de Treasuries de 3 meses (TBIL) em uma blockchain permissionada. A proposta visa eficiência operacional, mas enfrenta ceticismo, como a crítica de um professor de Columbia ao plano similar da NYSE, chamado de vaporware. Isso é a ponte para o futuro ou apenas hype regulatório?
O Que é Tokenização de Cotas de ETF?
A tokenização de cotas de ETF significa converter as frações tradicionais de um fundo negociado em bolsa em tokens digitais registrados em uma blockchain. Imagine um ETF de Treasuries americanos, como o TBIL da F/m, onde cada cota é um token único na rede blockchain. Isso permite registro imutável de propriedade, liquidação instantânea de transações e potencial para negociações 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem depender dos horários da bolsa tradicional.
Para iniciantes: ETFs são fundos que replicam índices ou ativos, como Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA). Hoje, as cotas são registradas em sistemas centralizados, suscetíveis a erros humanos e delays. Com blockchain permissionada — rede privada acessível só a participantes autorizados —, a F/m busca modernizar sem abrir mão de proteções regulatórias. As cotas tokenizadas seriam trocadas 1:1 pelas tradicionais, preservando direitos de voto e econômicos. Negociações secundárias continuariam via corretoras registradas.
A Proposta da F/m Investments à SEC
A F/m Investments gerencia US$ 18 bilhões e vê na tokenização uma forma de eficiência. O CEO Alexander Morris enfatiza: criar um “on-ramp regulado” que una inovação à proteção ao investidor de 85 anos. A blockchain atuaria só como camada de registro e liquidação, com transferências restritas a atividades autorizadas. Isso suporta interfaces digitais modernas e alocações automáticas, preparando o fundo para mercados tokenizados emergentes.
O pedido à SEC é pioneiro, mantendo arbitragem e trading tradicionais enquanto testa a viabilidade. Instituições globais já exploram produtos tokenizados, e a F/m quer liderar dentro das regras, evitando um futuro sem salvaguardas.
Críticas: NYSE e o Rótulo de ‘Vaporware’
Nem todos estão convencidos. O professor Omid Malekan, da Columbia Business School, classificou o plano da NYSE para tokenização de ações e ETFs com trading 24/7 como vaporware — produto anunciado sem detalhes concretos. Faltam infos sobre a chain usada, se permissionada ou não, tokenomics e fees. Malekan argumenta que o modelo centralizado da NYSE choca com a arquitetura descentralizada da tokenização.
Ele compara à AT&T nos anos 90, pioneira em telecom mas fraca na internet. Apesar disso, executivos cripto veem potencial: trading on-chain nativo sem wrappers. ARK Invest projeta mercado de RWA (ativos do mundo real tokenizados) de US$ 22 bilhões para US$ 11 trilhões até 2030.
Revolução ou Marketing? O Que Vem a Seguir
Para investidores brasileiros, isso sinaliza maturidade: Wall Street se “blockchainiza”, podendo baratear acesso a ativos globais via tokens. Mas riscos persistem — regulação da SEC é lenta, e vaporware pode frustrar expectativas. Monitore aprovações: se F/m avançar, abre portas para ETFs tokenizados acessíveis. Vale acompanhar como isso equilibra inovação e proteção, definindo se tokenização é ponte para o futuro ou buzzword.
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